terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Transeunte, de Eryk Rocha
Por entre as cinzas de um presente solitário escondem-se as linhas deriváticas de um futuro improvável. O anônimo de cada um de nós, o incomunicável, o comum, as tolices e as banalidades... a dor profunda da insuportabilidade. Para onde ir? Transeunte, personagem sem passado e sem presente, pura promessa de um futuro indecidível... Pelo jogo de devires e acasos, trabalho profundo da morte, tempo reverso de uma inexorável entropia. São os gestos, as margens do rosto, o mais intenso dos afetos que mapeia a passagem, com linhas, manchas e rugas... Transeunte das paisagens urbanas e força do tempo de um de acontecimento porvir.
sábado, 21 de maio de 2011
O Cangaceiro, de Lima Barreto
"Olê muié rendeira" canta o nordestern brasileiro. Cantos de alerta, cantos de amor; cantos expressivos, cantos gratuitos... Na linha tênue entre a fuga e a abolição, Teodoro e Maria rasgam a caatinga, estilhaçam os territórios, desconstroem os modos sedentários de viver dos homens de guerra e de religião, redispõem radicalmente o desejo em uma deriva extraordinária... Máquina de desterritorialização, o Cangaceiro anarquiza as situações e as ações, pulveriza os códigos, coloca em processo o meio histórico e geográfico, abre passagem para o fora e para a presença vitalizante das velocidades imperceptíveis e dos encontros impossíveis. Vida de cangaceiro feita de meios e de ritmos... Canto de liberdade banhado no amor e estendido na terra...
Limite, de Mario Peixoto
segunda-feira, 11 de abril de 2011
The Black Power Mixtape, de Goran Hugo Olsson
Cópia Fiel, de Kiarostami
Cópia Fiel é também um road movie de uma cidadela só... James Miller é um escritor que está na Itália para lançar seu último livro em que fala sobre réplicas de obras de arte e originais, lá ele conhece a francesa Elle, que tem uma galeria de arte. No meio de um passeio eles são confundidos com um casal de marido e mulher e começam a agir como tal... Na encenação, o espectador não conhece o passado amoroso do casal, mas imerge na degeneração inexorável dos diálogos, num jogo intenso de modulações, deformações, dobras e variações narrativas contínuas... Entre cópias e modelos, o que desaba são as leis da similitude, o que acontece é o cinema do simulacro. Quando se perde toda a semelhança com o modelo, o que se descobre é uma economia do caos, uma administração das próprias paixões, uma estetização da existência, uma liberdade plena do encontro, uma conquista do tempo...
Exit Through The Gilf Shop, de Banksy
Uma personagem inventada por Banksy, o tal Mr. Brainwash, é Thierry, um francês que convenceu artistas de diferentes nacionalidades a filmá-los porque estaria produzindo um documentário sobre a arte feita nas ruas. Mr. Brainwash convence pessoas que pagam pequenas fortunas por quadros que não são tão especiais... Grafite, tintas, rolos e rolos de papel... Thierry filma tudo, sem critério ou seleção, e depois simplesmente guarda as fitas em enormes caixas. É pelas mãos de Banksy, um exímio manipulador, que o jogo vira... Thierry deixa de ser o diretor e se torna personagem. O que é falso? Uma narrativa que não pode se constituir; uma relação alterada do ator com a personagem; uma relação distribuída entre a personagem e a pessoa? A falseação de um acontecimento, a falseação de um evento, a falseação de um fato. O paradoxo é o elemento principal. As forças do tempo falseam e o paradoxo é esta falseação violenta das formas da verdade. Exit Through the Gift Shop é um anti-documentário raro, nem falso, nem verdadeiro, mas apaixonantemente paradoxal...